sábado, 5 de novembro de 2011

UM RIO EM MIM

Trago uma lágrima há muito comigo,
rio perene em meu rosto correndo
como quem foge procurando abrigo
no mar da alma, mas vai se perdendo.


rio que corre, perdido,  em meu rosto...
rio que corta meu peito deserto,
rio  em cheia que  em curso incerto,
em si carrega todo meu desgosto...


que  leva n'águas as tristezas sem fim
que eu escondi no âmago de  mim
rio que corre... corre sem parar...


rio que, um dia, nasceu  em meu peito
e fez de meu ser todo o seu leito,
rio que nunca encontra o seu mar...

CONSELHO AOS CONSERVADORES

Tirem dos olhos a falsa e inútil régua
que ela não mede a minha inspiração.
Esqueçam os  meus versos.  Ora, Peço trégua,
pois estou fora desse seu padrão.


Posto que eu já andei tiranas léguas
e a vida deu-me  uma alma, um coração
que dá para um soneto. Outra vez, trégua!
Meu verso é alma, é sangue, é emoção...


Não sou parnasiano, nem nunca proponho
aos outros, por acaso, o meu estilo,
pois  minha inspiração é livre ave...


Preciso apenas de asas e de um sonho
Nada de grades.... de isso ou de aquilo
que o céu é o meu  limite e meu vôo suave.


SONETO PUBLICADO NO RECANTO DE LETRAS EM 5/11/2011.